Histórico da cidade
O município de Macau no Rio Grande do Norte originou-se de uma sesmaria doada pelo pai de Jerônimo de Albuquerque (fidalgo nascido no Brasil e falecido em Portugal), possivelmente no princípio do século XVII.
A primeira Macau localizada numa ilha a noroeste da Ponta do Tubarão foi explorada pelo sesmeiro Manoel Gonçalves, depois inundada pelo mar.
A área inicial compreendia as ilhas do rio Açu, Guamaré e o interior de Pendências – incluindo as ilhas de Manoel Gonçalves e Alagamar. Na ilha de Manoel Gonçalves ficava a primeira povoação, isto porque em meados de 1820, os primeiros habitantes tiveram que deixar a ilha em virtude do avanço das águas do mar. À época transportaram para o novo local o cruzeiro de madeira, inclusive a legenda existente no mesmo, faz alusão ao ano de 1825. O que tudo indica é que a partir de 1715 os habitantes da ilha de Manoel Gonçalves começaram a migrar para ilha de Alagamar onde fica Macau. De acordo com as pesquisas consta como seus fundadores, o capitão português Martins Ferreira e seus genros Antônio Joaquim de Souza, Manoel Antônio Fernandes, José Joaquim Fernandes e Manuel José Fernandes, além do brasileiro João da Hora. O nome Macau é uma corruptela da palavra chinesa A-ma-ngao, que significa “Abrigo ou Porto da Ama” deusa dos navegantes, o que terminou em Amacau ou Macau. Na verdade o nome é uma alusão à pequena cidade da China, possessão lusitana, que fica na província de Cantão e tinha uma imensa influência no comércio do Extremo-Oriente, num mundo onde Portugal tinha uma política de expansão desde o século XVI, sendo o município citado, uma província lusitana ultramarina. Antes de ser submersa pelas águas partiam da Ilha de Manoel Gonçalves carregamentos de peixes, couro e sal. Nesse período ocorreram saques por parte de embarcações de corsários, o que levou os representantes da Coroa a construírem um fortim para defesa. Na pequena povoação habitavam gente simples e pobre, pescadores e pequenos atravessadores de especiarias, bem como portugueses abastados, precisamente no local onde havia o fortim e as habitações primitivas. Como foi afirmado, após a ilha ter sucumbido houve a transferência dos habitantes para Alagamar, embora essa transferência tenha sido gradual, o que sem dúvida representou o início do crescimento da economia com base na exploração das salinas, conjugada à fabricação de velas com cera de carnaúba, queijos e esteiras.
Em 1847 a povoação tornou-se uma Vila desmembrando-se de Angicos (Lei n. 158 de 2.10.1847). Em 1875 foi elevada à categoria de cidade. A partir de então a cidade começou a crescer tendo a sua evolução econômica ligada à exploração das salinas. No início, a Comarca de Macau, desligada de Açu, foi criada pela Lei Provincial nº 644 de 14 de dezembro de 1871 compreendendo os povoados de Guamaré, Alagamar, Mangue Seco, Barreiras, Diogo Lopes, Pedrinhas e Tabatinga. Somente em 1953 desmembrou-se de Pendências e Guamaré, formando novos municípios. Aos primeiros habitantes, procedentes da ilha tragada pelas águas do mar, agregaram-se os que procediam de outras localidades. No início, a retirada do sal era uma atividade artesanal e rústica e sua comercialização feita em embarcações rudimentares, que a abasteciam também com gêneros alimentícios. O Porto de Macau teve a sua importância econômica, localizando-se na entrada da barra do Amargoso o principal afluente do Rio Açu-Piranhas. Segundo o Dr. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira comissionado pelo Governo Federal que o visitou em 1918:
- "O Porto de Macau desembocava no Oceano por três bocas: o Açu ou Amargoso, o dos Cavalos e o Rio das Conchas, sendo os dois últimos ligados por gamboas”. Com as margens revestidas de mangue durante muito tempo, navios de até 4 metros de calado entravam no canal, eles ficavam afastados e o sal era conduzido precariamente em veleiros de menor e maior porte. Esse porto era tão importante que no Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil publicado em 1922 pelo Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – volume I estão registradas mais particularidades do que as referências feitas ao porto de Natal."
A inter-relação com os que lá aportavam foi intensa, apesar de nem sempre positiva, mas traziam notícias e novidades do Rio de Janeiro, o que influenciava até a moda.
A circulação da riqueza trouxe investimentos para a cidade o que se refletiu nas edificações e sobrados e nos escritórios das companhias de navegação ligadas também à comercialização do sal, denotando abastança: a Companhia Comércio e Navegação, a Companhia Nacional de Navegação Costeira, o Loyd Brasileiro e Francisco Matarazzo, bem como grandes salineiros como Teófilo Câmara, Severo & Irmãos, Salinas Carielo (família de descendência italiana) e outras.
A chegada de capital financeiro da região sul favoreceu a construção de salinas com inovações tecnológicas e o escoamento da produção passou a ser feito por navios de propriedade das empresas maiores. Surgiram novas profissões como os barcaceiros, os estivadores, os práticos das barras que conduziam os navios ao ancoradouro e uma consciência de classe dos que labutavam na costa, que formaram as bases para a instalação dos sindicatos que tiveram uma ampla atuação na cidade.
A importância econômica de Macau nesse período da sua história foi retratada por José Mauro de Vasconcellos no seu romance Barro Blanco. (1ª edição de 1945).
Aspectos da Região
LOCALIZAÇÃO: Subzona Salineira do Rio Grande do Norte, situando-se na várzea terminal do Rio Piranhas Açu.
CEP.: 59.500-000
DISTÂNCIA DA CAPITAL: 190 Km
MUNICÍPIOS LIMÍTROFES: Ao Norte: com o Oceano Atlântico, Ao Sul: o município de Macau limita-se com os municípios de Pendências, Afonso Bezerra e Alto do Rodrigues, ao leste: com Guamaré e Pedro Avelino e ao oeste: com Carnaubais e Porto do Mangue.
POPULAÇÃO TOTAL: 27.132 habitantes (Fonte: IBGE - CENSO 2006)
ÁREA: 747 km2 o que equivale a 1,58% da superfície estadual.
ALTITUDE MÉDIA: sede, 4 metros acima do nível do mar.
UMIDADE RELATIVA DO AR MÉDIA ANUAL: 68%.
TEMPERATURA: MÁX.: 35ºC MÉDIA: 27,2ºC MÍN.: 20ºC
ÍNDICES DE PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA (m2.): 390 mm
MESES DE MAIOR INCIDÊNCIA DE SOL: jan/fev/mar
MEIOS DE ACESSO: BR 406, RN 118 e RN 221 (asfaltadas)
LOCALIZAÇÃO: 5º6’56” Latitude Sul e 36º38’68” de Latitude de W.Gr.
Formação Vegetal
Caatinga Hiperxerófia – vegetal de caráter mais seco, com abundancia de cactécea e plantas mais baixo e espalhadas. Entre outras espécies destascam-se a jurema-preta, mufumbo, faveleiro, marmeleiro,xique-xique efacheiro.
Carnaubal - vegetação natural onde a espécie predominante é a palmeira, a carnaúba. Os carnaubais espaçados e iluminados.
Vegetação Halófica – constituída por plantas que toleram viver em solo com alta concentração de sais, geralmente são espécies herbáceas e rasteiras.
Restinga – do ponto de vista geomorfológico ´um depósito arenoso de origem marítima e é considerada vegetação de preservação permanente, pelo Código Florerstal, a que cobre essa planície arenosa.
Manquezal – sistema ecológico costeiro tropical, dominado por espécies vegetais – mangues e animais típicos aos quais se associam outras plantas e animais, adaptadas a um solo periodicamente inundado pela maré, com grande variação de salinidade.
Solos
Solos predominantes e característica principal:
Areia Quartzosa Distróficas – fertilidade baixa, textura arenosa, excessivamente drenada, relevo plano.
Solochak Solonétzico – Alta salinidade, textura indiscriminada, imperfeitamente a mal drenada, relevo plano.
Latissolo Vermelho Amarelo Eutrófico – Fertilidade média a alta, textura, fortemente drenado, relevo plano.
Uso: Muito pouco cultivado com culturas de subsistências em face da muito forte limitação pela falta d’água e a fertilidade baixa. A área de Solochak não se presta para agricultura devido, principalmente ao excesso de sais. O que resta é a área de Latossolo e outra de Podzólico que poderiam ser bastante cultivadas desde que resolvido o problema d’água.
Aptidão Agrícola: A maior parte da área é indicada para preservação da flora e da fauna ou para recreação, as que se localizam a sudeste são também aptas para culturas de ciclo longo como algodão arbóreo, sisal, caju e coco. As áreas isoladas de Podzólico e as de predominância de Latossolo apresentam respectivamente aptidão regular e restrita para lavouras. Sistema de Manejo: Baixo, médio e alto nível tecnológico. As práticas agrícolas depedem tanto do trabalho braçal e da tração animal com implementos agrícolas simples, como da motomecanização.
Relevo
Menos de 100 metros de altitude.
Aspectos Geológicos
Geologicamente o município abrange terrenos pertencentes ao Grupo Barreira, Dunas e Aluviões. Tudo isto como cobertura dos calcários da Formação Jandaíra (Bacia Potiguar). A cidade de Macau situa-se em aluviões recentes depositados no leito do Rio Açu ou Piranhas, que recobrem os sedimentos do Grupo Barreiras, composto por artenitos, arenitos conglomeráticos, siltitos com intercalações, de argilas variadas, formando solos areno-argiloso de coloração avermelhada. Abaixo do Grupo Barreiras aflora as rochas calcárias de Formação Jandaíra, mais restritas à porção sul do município. Na região costeira estão presentes as dunas, que recobrem os arenitos do Grupo Barreiras.
Ocorrências Minerais: Minerais energéticos – Petróleo e Gás. Sal Marinho.
Recursos Hídricos
Hidrogeologia Aqüíferas Barreiras – composto por arenitos finos e grosseiros, conglomerados, arenitos argiloso, caulínicos e ferruginosos níveis de cascalho, lateritas e argilas variadas de coloração amarelo e avermelhada. Este aqüífero apresenta-se confinado, semiconfinado e livre em algumas áreas. Os porcos construídos mostram capacidade máxima de vazão, variando entre 5 a 100 m3/h, com águas de excelente qualidade química, com baixos teores de sódio e podendo ser utilizada praticamente para todos os fins.
Aqüífero Jandaíra – é composto dominantemente por calcários, apresentando água geralmente salobra e uma composição química favorável à pequena irrigação. É também um aqüífero livre ou confinado com vazões que variam até 30m3/h, com média de 3,3/h e poços com profundidade média em torno de 8m.
Aqüífera Aluvião – apresenta-se disperso, sendo constituído pelos sedimentos depositados nos leitos e terraços dos rios e riachos de maior parte. Estes depósitos caracterizam-se pela alta permeabilidade, boas condições de realimentação e uma profundidade média em torno de 7 metros. A qualidade da água geralmente é boa e pouca explorada.
Hidrologia Bacia Hidrográfica: Piranhas-Açu
Rios: Açu ou Piranhas, dos Cavalos, do Cifão, Mulungu, Amargoso. Açudes com Capacidade de Acumulação Superior a 100.000 m3 : Inexistente
Fauna
É muito rica, favorecendo a preservação do habitat natural. Nos mangues encontram-se revoadas de garças, apesar de alguns terem desaparecido em virtude de mudanças nas migrações. Há garças de três tipos: brancas do bico amarelo (de maior porte), de bico preto e as pardas. Dentre as aves destacam-se ainda os socós, as gaivotas e as galinhas do mangue. Nos mangues encontram-se o caranguejo e o camarão. No mar: o camarão, a lagosta, sendo os peixes mais comuns: voador, sardinha, carapeba, salema, ariacó, vermelho, agulha, tainha, dentre outros.